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Hoje é um daqueles dias em que o silêncio toma conta de mim. Hoje não quero conversas, nem som algum além dos lamentos do meu coração.
Hoje só permito que ele fale e o ouço com atenção, seus pedidos e desejos
que não satisfiz!
"Tem dias que a gente se sente, como quem partiu ou morreu"...
Ele
canta "roda viva" outra vez!
Nem foi ilusão passageira, muito menos foi o mundo que cresceu, fui eu quem não soube o que fazer com os desejos do meu coração. E agora ele reclama e com toda razão. Nada fiz, nada mudou, continua tudo igual e isso é mau, muito mau! Onde estava eu que não dei ouvidos aos apelos do meu insensato, carente e descrente coração? Estive muito ocupada, engendrando muitas fugas, maquinando muitos deslocamentos, tudo fiz para sufocar e transformar apelos em maleáveis e domáveis devaneios, ou quem sabe até em regateios... Foi o que fiz! Penso que engano e às vezes até consigo mentir, coibir, coagir, fora de mim. O que dentro grita, não posso mais abafar por tanto tempo. E como uma corrente se parte e faz-se um parto das minha emoções contidas, reprimidas.
Hoje estou parindo, estou deixando as contrações doídas
expulsarem o que calo. O que grita e que reprimo faz-se nessa imperiosa
expulsão, uma explosão e como dói....
Sai das minhas entranhas o que é visceral e não há partos sem dores e sem amores! Os amores que não tive ou que não tenho. Preciso ouvir e respeitar mais o que exige meu coração carente e incoerente... Talvez não seja tão incoerente assim e ainda possa viver!
( Penélope Freitas)
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sábado, 10 de janeiro de 2015
UM CORAÇÃO MELHOR QUE A RAZÃO
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