Sofrência - que quer dizer, tudo que se sofre por amor.
Inventaram isso por causa de um cantor baiano de brega. Brega da mais genuína breguice, que fala desses sentimentos - Pablo.
O que muita gente não sabe é que falar desses sentimentos, dessa sofrência é muito mais antigo do que se imagina.
Falar de amor é brega? Então eu sou brega.
A sofrência é brega? Então os grandes poetas da antiguidade também são bregas.
Todo mundo é brega.
Claro, guardada as devidas proporções, não se compara as letras ridículas das músicas de Pablo com os divinos poemas de Clarice, Florbela, Pessoa e tantos outros Mestres que me encantam.
Mas o fato é que, por que todo mundo, do mais erudito e abastado, ao mais popular sem eira nem beira está falando da sofrência?
Os primeiros em tom de deboche e sátira, os segundos com verdadeira paixão.
O que não incomoda passa batido, ninguém ao menos se dá ao trabalho de debochar ou satirizar.
Ignora simplesmente.
Mas não é o que acontece. A sofrência é um fenômeno viral entre todos os mortais
O que significa isso além da intolerância dos que se dizem "cult"?
Falta de amor, todo mundo está tendo sua ferida remexida, todo mundo sofre por algum mal de amor.
Saudade, solidão, traição e sei lá mais o que...
Poemas são lidos e digeridos de forma solitária, músicas que lembram algum amor, só a gente sabe e escuta se quiser.
Mas música brega que diz as coisas na lata e você não tem como fugir... Incomoda!
Mesmo que só ouça Tchaikovsky, Bach, Mozart, um dia você vai abastecer o seu carro e ouve Pablo.
Mesmo que seja avesso aos canais abertos, um dia, você assiste uma reportagem em algum lugar e vê a sofrência invadindo o povão. Esta quietinho em sua casa tentando ler um livro e seus ouvidos são estuprados pelo som do vizinho, do boteco da esquina ou qualquer coisa que o valha!
Se gosta de internet para pesquisa, não tenha WhatsApp, YouTube, Twitter, e outras redes sociais, pois a diversão do momento é compartilhar vídeos de Pablo e sua sofrência.
Só para lembrar a sua.
(Penélope Freitas)
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